Controle das emoções: psicologia & mercado


Comecei o dia, observando o gráfico diário do Ibovespa. Tracei o Fibonacci (ferramenta utilizada na análise gráfica para identificar pontos de correção ou objetivos), ligando o fundo em 60.700 e o topo em 76.400. Feito isso, apareceram os níveis de retração: 69.980 (que representa 38,2% de correção do movimento) e 68.113 (que representa 50% de correção). Na faixa de 68.700, observa-se uma antiga resistência que um dia, pode funcionar como um suporte.

 

Ah! Então, pensei: “Vai cair até os 69.000?”

 

Imediatamente, busquei eliminar esta âncora da minha mente. Não posso afirmar isso! Não posso me deixar levar pela ideia de que já subiu muito e agora o mercado deve cair.  O mesmo ocorre quando o mercado está em tendência de baixa, caindo forte, e surgem os pensamentos do tipo: “já caiu muito, não tem como cair mais” ou “tá barato!”.  Neste tipo de pensamento, tem muita subjetividade.

 

Entendo que não são as figuras no gráfico, Fibonacci, linhas de tendência ou médias móveis que definem para onde o mercado vai. O gráfico é uma fotografia do que ocorreu, é o passado.

 

Veja! Quem escreve isso é alguém que utiliza muito o gráfico. Então, devemos esquecer os gráficos? Não!

Visualizo o gráfico como uma das ferramentas para conhecermos o passado e desta forma, nos prepararmos para possíveis cenários (possíveis!!!).

 

O que define para onde o mercado vai é a demanda e oferta dos players que são formadas pela expectativa de cada um.

A demanda é imutável? Não existe flexibilidade por parte dos players? Eles insistem com uma posição independente do que aconteça no Brasil ou no mundo?

Acredito que não. (risos)

 

Como assim?

 

Um player tem expectativa de que a ação vai subir por que ainda está barata, então ele procura comprar. Outro player acha que a ação já está cara, então, ele decide vender. Agora! Imagine, “n” players com expectativas distintas!

Um player acha que a ação de uma determinada empresa vale $50, outro player acha que a mesma ação vale $40 e por aí vai. Ainda existem os players que acham que a ação está cara demais.

Pronto! É isso que move o mercado. Simples assim. No entanto, lembrarmos disso frequentemente não é algo tão simples. Pelo menos, essa é a minha interpretação. Adicione a isso, as novidades (indicadores da economia que não atingem ou superam a expectativa do mercado, atentados terroristas, crise política e etc…) e necessidades de cada player.

O fato é que é difícil aceitarmos isso. Achamos que o mercado se move por razões puramente técnicas e que existe alguém mais inteligente do que nós que já definiu para onde o mercado vai.

 

Qual é a armadilha?

 

Na minha opinião, uma das armadilhas é criarmos âncoras na nossa mente, isto é, se o mercado está subindo forte, nós nos prendemos nesta ideia e deixamos a flexibilidade de lado. Se o mercado cai forte, nos prendemos na possibilidade de possível “fim do mundo”.

Ganância x Medo

No momento em que escrevo este post, o Ibovespa está próximo do topo histórico, mercado “animado”. Os jornais e sites só falam em recuperação da economia, recordes no mercado de ações. Seja no Jornal Nacional ou no Programa de “dona de casa”, a notícia é: “Bolsa é uma excelente oportunidade de investimento”.

Não quero dizer que a bolsa não seja uma boa oportunidade de investimento. Não é meu objetivo afirmar nada sobre o futuro do Ibovespa ou de qualquer ação. O que quero é alertar sobre a possibilidade de criação de uma âncora, isto é, fixarmos uma ideia por que estamos sendo empurrados pela mídia, pelos amigos, analistas e etc… Você já pensou nisso?

 

O que quero compartilhar?

 

Quero compartilhar a ideia sobre a importância da psicologia (gestão de emoções) no mercado, isto é, que existe um fator irracional no mercado.

Lá em 2003, ouvi uma frase que nunca mais esqueci, mas serei franco, já ignorei em alguns momentos. A frase é: Existem dois sentimentos que movem o mercado: o medo e a ganância.

O mercado de ações não é ciências exatas! Desta forma, por mais que possamos ter a vontade de criar um sistema infalível de análise, o “setup dos milhões”, sempre haverá uma probabilidade de erro. Se deixarmos, facilmente, encontraremos uma justificativa para manter uma posição de compra ou de venda, pois criamos, inconscientemente, uma âncora sobre o movimento do mercado. Desta forma, o mercado pode apresentar diversos sinais de que a tendência mudou ou está prestes a mudar, mas não perceberemos.

Uma coisa que tenho trabalhado bastante na minha mente é justamente excluir a possibilidade de desenvolver o “setup dos milhões”. Parece loucura, mas é esta ideia de “setup dos milhões” que nos leva para duas situações: lutar contra o mercado ou não fazer nada (ficamos aguardando o grande momento). Precisamos agir de forma racional! Podemos montar uma posição “milionária” na compra ou na venda, mas não podemos fixar a ideia de que sempre estaremos certos.

Você acha isso tudo uma loucura?

 

Deixe de achar e acredite que é. É uma loucura!

O grande inimigo está dentro de nós. A nossa grande dificuldade é aceitar que quando entramos no mercado, não temos o controle. O mercado é soberano!

Para finalizar, julgo importante apenas lembrar que Daniel Kahneman, professor de psicologia da Universidade de Princeton, recebeu o Prêmio Nobel de Economia em 2002 por sua obra pioneira com Amos Tiversky sobre os processos de tomada de decisão.

 

Para quem não está familiarizado com o assunto, entendo que seja natural pensar: “Ah! Acho que deve ter ocorrido um erro no parágrafo acima, Professor de psicologia ganhou Prêmio Nobel de Economia?”

Bem, não existe erro. É isso mesmo!

 

Análise fundamentalista é importante? Sim!

Análise técnica é interessante? Sim!

Tape Reading é útil para um day trader? Sim!

Mas não acredito que os traders que alcançaram o sucesso (algo subjetivo) utilizaram apenas as técnicas e deixaram de lado o desenvolvimento da parte emocional. Não acredito!

 

Desculpe, mas entendo que aprender as 3 técnicas citadas acima não é algo complicado. O complicado é acreditar e saber quando está errado (principalmente, em uma operação em andamento), utilizando qualquer uma das técnicas acima.

Mais complicado ainda é identificar que está errado e depois fazer o que deve ser feito, “stopar” (finalizar uma operação) e aceitar a perda.

 

Resumindo, acredito que o desenvolvimento do controle emocional tem um peso enorme no trabalho do trader/investidor. Acredito até que escrevi para reforçar estes conceitos na minha mente. (risos)

Por muitos dias, meses e anos, tive como foco a questão técnica. Hoje, percebo claramente que não podemos ignorar o aspecto psicológico, a mente!

Quem foi a primeira pessoa a ler este post? Eu! (risos) Logo, também me incluo nesta missão de desenvolver o emocional.

Você discorda da minha visão? Comente! Detone! Sabe o que eu quero? Aprender!

Rodrigo