A arte e o mercado


Costumo dizer que olhar um gráfico de um índice ou ação é como observar um quadro, uma pintura. Cada um pode identificar um detalhe positivo ou negativo. Tentamos descobrir o que o “artista”, chamado Sr. Mercado, pintou até o momento. Até o momento!  O gráfico de uma ação ou índice representa muito mais do que apenas o valor de abertura, mínimo, máximo e fechamento. Por trás do gráfico existem n informações. Os diversos indicadores que os especialistas criam são ferramentas para tentar extrair estas outras informações. Até o tape reading (técnica baseada na leitura do fluxo de ordens e estratégias de outros operadores) já foi para o gráfico!

Como dizem os admiradores de arte, que não é o meu caso, um quadro pode expressar o sentimento do artista. No entanto, o quadro não consegue expressar o sentimento FUTURO do artista. Não é verdade? (.rs)

O que o artista sentirá no próximo dia, mês ou ano? Difícil saber, mas será que conhecer o passado do artista, a linha de atuação, já não pode ser válido para que eu avalie se tenho interesse de ir nas próximas exposições? Se tenho perfil para acompanhar o trabalho do artista?

Por mais que eu leia, estude, pesquise, posso me tornar um especialista em gráficos ou fundamentos, mas sei que isso não é suficiente. No post “Controle das Emoções: Psicologia & Mercado”, comento sobre isso.

Se tenho interesse pelo trabalho do artista, será que estou interpretando corretamente o que ele quer transmitir através da sua arte? Quanto posso investir na arte?

Agora, imagine se não tivéssemos a oportunidade de conhecer “sentimentos passados” deste artista chamado Mercado!

Podemos ignorar o histórico? Penso que não.

O gráfico é apenas uma forma de apresentar os dados. A questão é que se olharmos o gráfico de forma tendenciosa, querendo identificar uma oportunidade para entrar em uma operação, acabaremos encontrando esta oportunidade, mesmo que ela não exista. O desafio é impedir que sejamos tomados pela ideia de que encontraremos uma resposta direta no gráfico, sem a realização de qualquer tipo de análise ou uso de técnica.

Tanto na análise gráfica quanto na análise fundamentalista, existe subjetividade da mesma forma que existe na admiração de uma arte. É esta subjetividade que faz o mercado andar. É esta subjetividade que permite o aluno superar o mestre.

Na minha opinião, o analista fundamentalista, por “mergulhar” nos números de uma determinada empresa, pode conhecer até onde a empresa pode ir, qual o potencial dela. No entanto, também existe subjetividade e margem de erro. Não existe?

Talvez, no caso do quadro do mercado, ou melhor, do gráfico do Ibovespa, o que possamos extrair é que o “artista” é temperamental. Em alguns momentos vive profunda depressão, mas de repente, vive uma grande euforia e vice-versa. Ter esta informação já não é algo relevante, principalmente, para os iniciantes?

Em média, quanto tempo dura uma crise de depressão no Sr. Mercado? E a euforia?

Existe algum padrão que possa alertar sobre uma possível mudança de “temperamento” (tendência)?

Com base no histórico até consigo ter uma ideia. Para mim, isso já é um começo.

Como o “Sr. Mercado” acordará amanhã? Que quadro ele pretende pintar no próximo mês? Qual será seu sentimento?

Agora, a coisa mudou de figura. As perguntas acima são bem mais complexas. Sinceramente, não tento adivinhar. No entanto, sei que o “Sr. Mercado” é temperamental e isso já é uma ajuda para conviver e tentar sobreviver.

Para finalizar, publicamos dois gráficos do Ibovespa, considerando o mesmo intervalo de tempo, a partir do dia 27/02/2009 até o dia 04/10/2017.

O primeiro gráfico é a visão do brasileiro, é o desenho do que escutamos nos jornais na TV e lemos em redes sociais e sites.

O segundo gráfico é a visão do estrangeiro, pois trabalhamos com o dólar comercial como indexador. Penso que para o estrangeiro investir no Brasil com o dólar valendo R$ 3,10 é bem mais interessante do que investir com o dólar valendo R$ 1,70.

 


FIGURA 1: Gráfico semanal do Ibovespa. Fonte: Terminal Enfoque.

 


FIGURA 2: Gráfico semanal do Ibovespa/Dólar Comercial. Fonte: Terminal Enfoque.

 

Quem sou eu? Apenas um admirador dos números.

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